Sumários

A MEDICINA - CONCEPÇÕES DO CORPO E REIFICAÇÃO.

14 Novembro 2017, 11:30 Maria Manuela Vasconcelos Hasse a. Silva



O interesse da antropologia estende-se a todos os domínios da vida biológica e social. A relação da medicina com os desenvolvimentos tecnológicos e a progressiva orientação para práticas mais ou menos agressivas de tratamento são analisadas. Trata-se de compreender, por um lado, de que forma culturas distintas se relacionam com os tratamentos universais propostos, por outro, de conhecer as atitudes presentes entre todos os implicados no processo de tratamento ou cura. No estudo proposto, de Charlotte Ikels, constatam-se práticas médicas e atitudes diversas, entre uma capacidade científica e tecnológica quase omnipotente, e a aceitação automática, o questionamento existencial e a rejeição clara por razões de base religiosa e espiritual.
Em torno destas diferentes realidades, as diferenças económicas acentuam as posições de desvantagem de uns relativamente a outros, ao mesmo tempo que proliferam as empresas de fornecimento de orgãos numa clara manifestação do valor mercantil dos corpos, das vidas, uma comercialização das soluções de tratamento e aumento das possibilidades asseguradas de cura.
Na circunstância, levantam-se questões éticas, questiona-se a validade universal da concepção de 'morte cerebral' e, no debate suscitado pela abordagem deste problema, ficou sublinhada a necessidade imperiosa de ouvir o doente e de respeitar a sua vontade - ainda que esta seja a de não querer sujeitar-se a tratamentos prolongados em que assentariam hipotéticas possibilidades de vida.


A MEDICINA - CONCEPÇÕES DO CORPO E REIFICAÇÃO.

13 Novembro 2017, 11:30 Maria Manuela Vasconcelos Hasse a. Silva



O interesse da antropologia estende-se a todos os domínios da vida biológica e social. A relação da medicina com os desenvolvimentos tecnológicos e a progressiva orientação para práticas mais ou menos agressivas de tratamento são analisadas. Trata-se de compreender, por um lado, de que forma culturas distintas se relacionam com os tratamentos universais propostos, por outro, de conhecer as atitudes presentes entre todos os implicados no processo de tratamento ou cura. No estudo proposto, de Charlotte Ikels, constatam-se práticas médicas e atitudes diversas, entre uma capacidade científica e tecnológica quase omnipotente, e a aceitação automática, o questionamento existencial e a rejeição clara por razões de base religiosa e espiritual.
Em torno destas diferentes realidades, as diferenças económicas acentuam as posições de desvantagem de uns relativamente a outros, ao mesmo tempo que proliferam as empresas de fornecimento de orgãos numa clara manifestação do valor mercantil dos corpos, das vidas, uma comercialização das soluções de tratamento e aumento das possibilidades asseguradas de cura.
Na circunstância, levantam-se questões éticas, questiona-se a validade universal da concepção de 'morte cerebral' e, no debate suscitado pela abordagem deste problema, ficou sublinhada a necessidade imperiosa de ouvir o doente e de respeitar a sua vontade - ainda que esta seja a de não querer sujeitar-se a tratamentos prolongados em que assentariam hipotéticas possibilidades de vida.


A ALIMENTAÇÃO - UM COMPLEXO DE CULTURA.

10 Novembro 2017, 11:00 Maria Manuela Vasconcelos Hasse a. Silva



A alimentação é um elemento de cultura. Através da alimentação é possível conhecer uma cultura na sua totalidade. A alimentação constitui um dos indicadores de separação entre aqueles que se alimentam de produtos crus e aqueles que se alimentam de produtos cozinhados, de alimentos frios e de alimentos quentes (Lévy-Strauss). Através da alimentação é, ainda, possível conhecer a forma como o consumo dos alimentos se encontra associada a todos os sentidos (visão, olfato, tacto, paladar, audição) e não apenas ao gosto (paladar). A possibilidade de compreender a distinção social através da disposição da mesa e de todos os acessórios indispensáveis ao acto de comer, levar os alimentos à boca, cortar os diferentes alimentos, os alimentos consumidos, a selecção dos alimentos consumidos, a maneira de comer, as maneiras de estar à mesa, o equipamento para utilizar à mesa, a regularidade das refeições, a presença da religião e o ordenamento do ano de acordo com a experiência da vida religiosa.
A alimentação como um factor fundamental de educação, de transmissão de cultura. A alimentação na cultura erudita (a literatura) e na cultura popular (as festas religiosas, as festas locais, as festas familiares, a celebração de aniversários de nascimentos e de matrimónio, o cinema), um facto social total.
A vigilância e o controlo social do prazer através da alimentação, a dieta, a alimentação vegan, a alimentação vegetariana, o desenvolvimento dos estudos no domínio da nutrição. A racionalização da vida através da alimentação, dos horários alimentares, da sociabilidade associada ao acto de comer. A fast food e a slow food. O desenvolvimento da sensibilidade, da motricidade fina, de um refinamento de classe, de distinção.
A alimentação e a vida social.


A ALIMENTAÇÃO - UM COMPLEXO DE CULTURA.

10 Novembro 2017, 08:00 Maria Manuela Vasconcelos Hasse a. Silva



A alimentação é um elemento de cultura. Através da alimentação é possível conhecer uma cultura na sua totalidade. A alimentação constitui um dos indicadores de separação entre aqueles que se alimentam de produtos crus e aqueles que se alimentam de produtos cozinhados, de alimentos frios e de alimentos quentes (Lévy-Strauss). Através da alimentação é, ainda, possível conhecer a forma como o consumo dos alimentos se encontra associada a todos os sentidos (visão, olfato, tacto, paladar, audição) e não apenas ao gosto (paladar). A possibilidade de compreender a distinção social através da disposição da mesa e de todos os acessórios indispensáveis ao acto de comer, levar os alimentos à boca, cortar os diferentes alimentos, os alimentos consumidos, a selecção dos alimentos consumidos, a maneira de comer, as maneiras de estar à mesa, o equipamento para utilizar à mesa, a regularidade das refeições, a presença da religião e o ordenamento do ano de acordo com a experiência da vida religiosa.
A alimentação como um factor fundamental de educação, de transmissão de cultura. A alimentação na cultura erudita (a literatura) e na cultura popular (as festas religiosas, as festas locais, as festas familiares, a celebração de aniversários de nascimentos e de matrimónios, o cinema), um facto social total.
A vigilância e o controlo social do prazer através da alimentação, a dieta, a alimentação vegan, a alimentação vegetariana, o desenvolvimento dos estudos no domínio da nutrição. A racionalização da vida através da alimentação, dos horários alimentares, da sociabilidade associada ao acto de comer. A fast food e a slow food. O desenvolvimento da sensibilidade, da motricidade fina, de um refinamento de classe, de distinção.
A alimentação e a vida social.


A IMITAÇÃO - O DOMINIO DA ANTROPOLOGIA. SUA COMPLEXIDADE.

8 Novembro 2017, 13:30 Maria Manuela Vasconcelos Hasse a. Silva



A imitação enquanto processo de cultura. A imitação enquanto processo de transmissão cultural e a questão da imitação prestigiosa, analisada por Marcel Mauss. A imitação, e o seu estudo, no campo da antropologia cultural e social. Dos estudos efectuados destaca-se, desde logo, a complexidade que é subjacente ao problema e as diferentes orientações, e também ambiguidades,inerentes ao cultural e que, no caso da imitação, conduzem a códigos, ritos, produção e reprodução de imagens e de sentidos, de práticas e de multiplicidades de que sobressai a criatividade e alteração de sentidos originais, um diferencial que não corresponde a uma reprodução que seja, necessariamente, a cópia precisa daquilo que é, ou se assumiria, como imitado.

Nesta perspectiva, a imitação é tomada como mimesis, conceito grego que conduz a uma pantomima, personificação, algo que aponta para uma prática mimética, a imitação. Neste quadro, a reflexividade constitui um conjunto de traços que apontam para uma ligação entre dois polos, não necessariamente iguais mas equivalentes. Numa outra perspectiva de abordagem, o que se toma como 'aquilo' a imitar, e as possibilidades de criatividade, de re-invenção presentes numa recreação - a cópia do original - assinalam-se outros campos que enquadram a linguagem, o humor, a troça, o ridículo, a inversão e confronto entre o original e a re-criação.

A instabilidade afirma-se como uma das características da mimesis, traço que deriva da própria natureza do acto de imitar. Imita-se para ensinar, para corrigir, para transmitir, para re-criar e inventar, para treinar, para enfatizar. Todos estes aspectos são susceptíveis de serem considerados quer a partir dos desportos, e da sua transmissão - ou da transmissão da cultura através dos desportos - quer a partir de práticas que se orientem para a dramatização enquanto jogo.